julho 29, 2019

Xamanismo, o saber ancestral

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Xamanismo

Xamanismo, o saber ancestral

Pode-se dizer que O Xamanismos é tão antigo quanto a origem do homem.

Em todas as culturas do mundo, há referências sobre rituais, cantos, danças, encantamentos de um Xamã ou Shaman, ou seja, “Aquele que vê no escuro”.

No Xamanismo ambos os mundos, físico e espiritual, são realidades paralelas que se entrecruzam permanentemente. São fios distintos, contudo entrelaçados na mesma rede, formando o grande tecido cósmico.

O/a Xamã é tanto aquela mulher como aquele homem que faz a ponte entre estes dois mundos entrelaçados entre si. O Xamã consegue descobrir a porta que ninguém consegue ver e que conduz ao mundo espiritual, entrando por ela e regressando com controle sobre essa movimentação.

Assim, o homem pode não só se  sintonizar em plena harmonia com o mundo espiritual, como com o mundo terreno. Ao fazê-lo, o ser humano pode também produzir efeitos benéficos, tanto no mundo terreno como no mundo espiritual.

No Xamanismo, não existe a clássica distinção entre mundo físico e mundo espiritual, como se se tratassem de duas realidades claramente distintas e separadas.

Muitas das religiões nativas do continente americano, bem como do africano, têm origem nos princípios Xamanistas. Assim como, consequentemente, diversos sistemas de crenças derivados delas contam com a influência do Xamanismo, como por exemplo boa parte das religiões afro-brasileiras.

O Xamanismo, na magia europeia, assumiu forma na magia druídica, que era praticada pelos druidas, os antigos sacerdotes celtas, e na magia dos antigos povos germânicos, cuja ramificação mais conhecida atualmente é o sistema das runas.

Hoje em dia existem muitas linhas, todas elas ligadas a forças naturais que comungam em harmonia com as forças espirituais, cultivando o respeito e a paz.

A primeira referência histórica que se tem do Xamanismo é de origem Tunguska, um povo nativo da Sibéria, mas não é possível dizer que foi ali que surgiu o conhecimento Xamânico.

São os nossos registros apenas que partem desse ponto. O xamanismo, ao que tudo indica, afunda suas origens na pré-história, sendo anterior à escrita.

Quem é o Xamã ou Pajé?

O Xamã é o líder espiritual por excelência. Ele ou ela se comunica com os espíritos, recebe conselhos e alertas, traz a proteção para sua tribo.

Pratica a cura, conhece as ervas e prepara suas medicações. Domina as energias, limpa e purifica.

Ele ou ela vê o que ninguém vê e assim firma seu propósito.

É alguém de grande prestígio dentro do seu grupo social. Sua presença e palavra são reverenciadas.

O Xamã trabalha com os ciclos da natureza, as estações, as direções, os elementos: fogo, terra, água e ar. Canta, toca tambor e maracás, dança, conhece a magia natural e dos astros, busca a visão espiritual, usa os animais de poder e pode se transformar neles e entrar no mundo espiritual.

No Xamanismo há uma forte integração com a natureza e respeito a todos os reinos: animal, ao povo de pé (árvores e vegetais) e ao povo de pedra (os minerais).

O Xamã busca os estados alterados de consciência e através destes consegue se elevar espiritualmente.

O estado alterado pode ser induzido através do uso de plantas de poder (como por exemplo a Ayahuasca e o Peiote), mas também através da oração, da meditação, do relaxamento profundo.

Animais de poder no Xamanismo

É provável que já tenha ouvido alguém falar sobre animais de poder.

Eles são seres espirituais que assumem a forma e as características de alguns animais.

Os mais comuns são a Águia, o Coiote, o Urso, o Jaguar e o Búfalo.

No entanto, não se limitam a estes apenas. Há quem possa dizer que seu animal de poder é uma Coruja, uma Serpente, ou um Golfinho.

Eles nos ensinam, nos auxiliam e nos protegem quando estamos em transe no mundo espiritual. Podemos também nos transformar neles.

Podemos aprender muito com esses guardiões e invocá-los em horas de necessidade

Como é praticado hoje o Xamanismo Urbano

É normal associar o Xamanismo com os povos indígenas, pois até hoje eles ainda preservam esse saber ancestral.

Assim, é possível praticar o Xamanismo se deslocando até algumas tribos como os Kariri Xocós e os Sateré Maués. Isso no Brasil, mas podemos encontrar outras tribos e práticas Xamânicas em vários outros países das Américas.

Podemos mencionar os Taitás da Colômbia. E há também as ricas tradições presentes no México e nos EUA. Em verdade, podemos encontrar o Xamanismo ainda vivo em diversos cantos do mundo.

Por outro lado, hoje não é sempre necessário fazer longas viagens, pois também é muito comum o Xamanismo Urbano, feita em grandes e médias cidades.

É possível, nesses contextos, participar de rodas de cura, de rodas de tambor, de rituais com o animal de poder, da Dança do sol, da Meditação da Lua, de práticas envolvendo o Kambô ou a Ayahuasca e assim por diante.

Aqui é importante alertar que o trabalho é sério e envolve riscos se for dirigido por uma pessoa despreparada.

Para alguém se tornar um Xamã ou um Pajé, são necessários anos de estudo e prática, portanto informe-se e busque referências sobre o lugar que pretende frequentar e sobre o dirigente do trabalho de Xamanismo Urbano.

Não vá no primeiro que aparecer. Xamanismo é magia profunda e vibra em campos energéticos fortes.

O Xamanismo e as plantas de poder

Como mencionamos acima, é comum dentro do Xamanismo o uso de plantas de poder que alteram o estado de consciência e abrem as portas da percepção.

Assim, os praticantes, sob a orientação e os cuidados do Xamã, iniciam sua jornada espiritual de conhecimento. Olhando para dentro de si, desbloqueando e limpado conceitos e padrões que não servem ao seu Eu.

A concentração e o propósito durante o ritual são de suma importância para se alcançar os objetivos desejados. Não é uma viagem psicodélica louca, como alguém vendo de fora pode pensar. O que temos no Xamanismo é uma jornada profunda de autoconhecimento.

Algumas das Plantas de Poder mais comuns são o Tabaco, a Ayahuasca, a Jurema, o Peiote e a Datura.

Cada participante tem uma experiência que é única, diferente das dos demais, pois tem a ver com sua vocação espiritual e com o que guarda dentro de si.

Pode ser algo maravilhoso e prazeroso, um verdadeiro êxtase. Assim como pode ser difícil, dolorido, um processo envolvendo muito sacrifício.

As duas coisas também podem se manifestar juntas num mesmo ritual. O participante pode ir do Céu ao Inferno caso se descuide ou do Inferno ao Céu se conseguir se limpar e se elevar depois de um começo complicado. Tudo depende do estágio de evolução de cada participante.

Com alguma frequência, essas plantas de poder, ou outras substâncias como o Kambô (que é extraído do sapo), provocam náuseas e vômitos nos participantes, o que dependendo da tradição pode ser a “Purga” ou a “Peia”.

São processos de limpeza e purificação, que colocam os venenos da alma (e às vezes também os do corpo) para fora. Mas não há com o que se preocupar, porque geralmente, se o participante consegue se equilibrar durante o ritual, as sensações ruins tendem a ir embora.

O Xamanismo: conclusão

A jornada espiritual do Xamanismo é com certeza muito intensa e maravilhosa. Aquele que busca seu propósito, e a liberdade dos incontáveis padrões a que somos submetidos, encontra no Xamanismo uma cura para o seu espírito.

Enfim, é mais uma forma que o Grande Espírito oferece para que possamos seguir o caminho da nossa evolução

Aho Grande Espírito, Aho Mãe Terra, Aho Pai Céu, Aho Avô Sol, Aho avó Lua, Aho Fogo Sagrado, Aho as 4 Direções, 4 elementos e 4 Estações, Aho a todos os Seres.

Aho Metakiase

Por todas as nossas relações.


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