novembro 26, 2019

Qual a importância dos toques de atabaques na Umbanda?

Ser Ogan (quem toca os atabaques) não é fácil. Além dos vários toques de atabaques e pontos que precisa aprender, o Ogan ainda é o responsável pelo terreiro na ausência do dirigente. Quando digo ausência, quero me referir ao dirigente estar incorporado. É neste caso que o comando do terreiro e da gira é do Ogan.

Se os toques de atabaques e o Ogan não estiverem firmes e preparados, muita coisa ruim pode acontecer em uma gira: desconcentração dos médiuns, entrada indesejada de obsessores, falta de firmeza na corrente; enfim, o Ogan precisa saber quando e como intervir para que a gira aconteça de forma tranquila e satisfatória.

Tipos de atabaques na Umbanda

São três os tipos de atabaques na Umbanda: o RUM, o RUMPI e o LÊ.

Tipos de Toques de Atabaques na Umbanda
  • O RUM é o maior atabaque e possui o som mais forte e mais alto;
  • O RUMPI é o segundo maior atabaque e possui um som médio; ele responde os toques do atabaque RUM;
  • O LÊ é o atabaque do iniciante; ele tem um som mais agudo, que acompanha o RUMPI.

Os atabaques são quase uma entidade na Umbanda, tamanho o respeito que temos por eles. São cobertos com pano branco, quando não estão sendo usados, e todos os médiuns prestam reverência aos atabaques.

Toques de atabaques na Umbanda

Qual a importância dos toques de atabaques na Umbanda?

Existem muitos toques de atabaques na Umbanda. Vou falar apenas dos principais e mais usados.

Em outros estados, os toques de atabaques na Umbanda têm outros nomes. Falaremos então dos nomes de São Paulo.

Toque de marcação: usamos este toque para saudar alguma entidade que se aproxima dos atabaques quando estão em terra. Mas ele pode ser usado em uma outra mistura para base de qualquer ponto cantado, diferente do dobrar o couro (repique nos atabaques lento, cadenciado e sequencial); quando dobramos o couro é porque o terreiro está recebendo uma visita ilustre, como um Pai de Santo de outra Casa.

Se fôssemos ler os toques, teríamos oito posições, que seriam: TA TUM TUM TA TUM TUM TUM TUM.

Toque Nagô: este toque está inserido em quase todos os pontos cantados para quase todas as entidades.

Se fôssemos ler os toques, teríamos oito posições: TUMMM TA TA TUM TA TA TUM TUMMM.

Toque Barra Vento: este toque é rápido e o usamos muito para a chamada de Iansã. Apesar de conter apenas 6 toques, eles são rápidos e no geral é um toque difícil de aprender.

Lidos ficariam assim: TA TA TA TUM TUM TUM. A ênfase aqui se dá no segundo TA e segundo TUM. Isto faz toda a diferença.

Toque de Angola: é um toque de capoeira. Ele é tocado para algumas entidades, principalmente para os baianos. Se fôssemos ler, teríamos um toque de 12 posições, TUMMM TA TUM TA TUM TUM TA TA TUM  TA TUM TUMMM.

Toque Ijexá: este é um toque para a chamada de Mamãe Oxum, e mantido quando ela está em terra.

Se fosse lido literalmente, ficaria assim: TA TA TUMMM TA, apenas 4 posições que se repetem.

Toque Congo de Ouro: é um toque consagrado ao Orixá Pai Ogum, para sua chegada e permanência no terreiro.

Lido ficaria assim: TUMMM TA TA TA TUM TUM TA TA TA TA TUM TUMMM, com 12 posições de toque.

Outros tipos de toques de atabaques

Além destes toques ainda temos os toques para defumação, em que o toque vai de acordo com o ponto, que pode ser Marcação e Nagô.

O toque para bater cabeça (cumprimentar o conga e se colocando à disposição para o trabalho daquela gira) pode também ser de Marcação ou de qualquer outro ritmo, pois vai depender do ponto cantado.

O ponto de abertura da gira pode se dar no toque samba. isso tudo depende do ponto a ser cantado.

E o ponto de sustentação?

Nesse caso, o Ogan percebe como está a gira e conduz os pontos para equilibrar, energizar ou afastar vibrações ruins.

Quando precisamos afastar alguma coisa da casa e dos trabalhos, é o Barra Vento que é tocado, pois é mais rápido e a energia circula de forma mais veloz.

O ponto de encerramento pode ser o de Marcação ou qualquer outro que o Ogan escolher, o que vai também depender do ponto cantado escolhido por ele ou pelo Pai da Casa.

Conclusão:

atabaques

Tudo o que usamos na Umbanda tem um fundamento e uma razão de ser. Os toques de atabaques na Umbanda são fundamentais para o bom trabalho, além é claro de trazerem muita alegria.

Mas o mais importante de tudo isto é que unimos forças com o mundo espiritual quando estamos cantando, dançando e batendo palmas.

Pessoas que têm a clarividência conseguem ver sair das palmas das mãos energias em forma de raios, isto porque cada ponto de nossas mãos ativa um chacra e com isto ativa uma energia.

Se todos estão imbuídos dos mesmos sentimentos e embalados pelo mesmo som, tanto do atabaque como das palmas e das palavras, teremos um trabalho de muita firmeza.

O atabaque é ritualístico dentro da Umbanda e não apenas um instrumento de som, pois ele por si só produz vibrações energéticas.

Um trabalho sem os toques de atabaques ou curimba como chamamos, é de certa forma menos intenso, embora as entidades trabalhem como têm que trabalhar, mesmo faltando este grande apoio energético.

É gostoso ver uma entidade chegar perto do couro (é assim que eles chamam os atabaques) e puxar um ponto. Mais bonito ainda é, depois de puxar o ponto, a entidade sair dançando.

E tudo é feito com fundamento. Nenhum ponto é cantado sem que seja preciso para mover energias.

Já visitei algumas casas que não usam os atabaques, não por falta de Ogans, mas porque preferem apenas cantar e bater palmas. Não que não funcione, mas fica muito triste.

Contudo, cada casa trabalha conforme lhe foi passado pela espiritualidade e o tipo de Umbanda que pratica.

Porém se soubessem da força que têm os atabaques, junto com os pontos, adotariam o uso dos atabaques com certeza.

Como disse antes, os toques de atabaques na Umbanda são sinal de alegria!

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