agosto 9, 2021

Soberba: como ela pode te afetar e como evitá-la

O que é a soberba?

O que é a soberba?

A soberba é a reivindicação de merecer para si mesmo, por qualquer meio, uma posição cada vez mais privilegiada em comparação com os outros.

Todos os que estão ao redor, para o soberbo, deveriam reconhecer que são inferiores ou demonstrar de alguma forma que aceitam a superioridade inquestionável e avassaladora dos soberbos.

Quem é soberbo acha sempre que tem um dom especial. E na verdade todos nós temos algo que nos destaca. Mas a diferença do soberbo em relação às pessoas que simplesmente têm autoestima é que o soberbo considera o talento dele muito superior aos dos outros. Ele quer sempre ouvir elogios e nunca aceita críticas.

Às vezes a autoestima dele nem é tão boa assim. Mas mascara uma falta de autoestima com uma afirmação exagerada de si mesmo. Quer a todo momento mostrar que é melhor, que é superior.

O soberbo nunca admite que precisa de ajuda. Se considera sempre autossuficiente. E também só ajuda o próximo se for para se mostrar superior.

A ajuda ao próximo se torna falsa caridade e soberba quando quem a pratica não quer realmente ver a felicidade do outro, e sim receber elogios e ser reconhecido como bom e generoso.

Não por acaso a soberba está relacionada a Lúcifer, o anjo caído que em algumas versões teve inveja do ser humano, em outras de São Miguel e em outras do próprio Deus. É o anjo que quer ser igual ao Criador ou no mínimo ser a maior e melhor de todas as criaturas.

A soberba na religião

soberba na religião

Na doutrina moral cristã, a soberba é considerado o pecado da vaidade por excelência. É o extremo da vaidade. São Tomás de Aquino afirmou que “O soberbo está apaixonado por sua própria excelência’, enquanto Santo Agostinho, em sua obra A Cidade de Deus, declarou que “o diabo não é luxurioso, nem bêbado, nem outras coisas semelhantes: ele é soberbo e invejoso”. E isso nos leva a pensar novamente em Lúcifer.

O soberbo, assim como o Diabo, quer ser mestre e soberano de si mesmo, autônomo e independente de Deus e do próximo.

A soberba é então por isso um dos sete pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça), que são as tendências do espírito para o mal, que na visão cristã é Satanás, do qual todos os pecados se originam e que causam a morte da alma.

As três virtudes teológicas (fé, esperança e caridade) e as quatro virtudes cardeais (justiça, fortaleza, temperança, prudência) são opostas aos pecados capitais.

O soberbo tende a se comportar perversamente porque acredita que é melhor que os outros. E segundo alguns teólogos ele é o pior dos sete pecados, justamente por ser o mais associado a Lúcifer.

Ele corrompe a justiça, porque se considera acima dela. Deturba a fé, afinal quem precisa de fé em Deus se o soberbo pode tudo? Deforma a caridade, fazendo com que o bem feito aos outros vire apenas motivo de elogios para o soberbo, servindo para que os outros digam o quanto ele bom, alimentando seu ego.

A soberba também exclui a temperança, pois o soberbo não tem medida de si mesmo, não é uma pessoa equilibrada, quer que tudo penda a seu favor.

A soberba é retratada por Dante Alighieri na Divina Comédia como o Leão, uma das três feiras que ameaçam o poeta antes que ele entre no Inferno.

No budismo, a soberba é considerada também um pecado ou um defeito que leva o homem a se apegar ou se iludir com a identidade falsa que é o ego.

Se quiser alcançar a libertação espiritual, o homem precisa portanto se livrar da soberba, que está associada também a Mara, o rei dos demônios, e que gera violência e frustração.

A soberba na psicologia

Na visão da psicologia, a soberba é algo que precisa ser tratado. Até porque o soberbo é incapaz de se autocriticar, vive isolado, com um desprezo cínico pelo outro.

Muitas vezes se considera alguém mal compreendido e perseguido, caindo na vitimização.

Segundo Lacan, o impulso psíquico agressivo está associado à autoadoração, que pode se manifestar em tendências homicidas ou suicidas. Os assassinos em série, em geral, são soberbos e narcisistas.

Lacan considerou esse amor mórbido por si mesmo como a raiz de todas as doenças mentais.

Alvo de frustração e autoexclusão social, o soberbo também é frequentemente invejoso.

A inveja no caso dele não está dirigida a um bem material ou a uma qualidade característica do invejado, mas à vida ou vitalidade do outro por ela mesma. Simplesmente pelo fato do outro existir, ele é invejado.

O soberbo narcisista tende a difamar a imagem alheia, para fazer com que o outro seja de qualquer forma considerado inferior a ele.

Símbolos da soberba

Soberba: como ela pode te afetar e como evitá-la

Os símbolos que acompanham a representação do orgulho na arte são geralmente o pavão, o espelho (no qual o reflexo de Satanás é visto às vezes) e o morcego.

Na arte medieval e renascentista, pode ser encontrado com atributos como o leão ou a águia.

O leão, por ser um animal imponente e considerado o rei dos animais, é um símbolo bastante óbvio.

O pavão como símbolo do orgulho e da soberba também já entrou até no imaginário popular.

“Aquela pessoa parece um pavão, de tão exibida que é”, é uma frase que já ouvimos alguma vez na vida. Ou ouvimos já algo parecido.

Como combater a soberba

Exercitar a humildade não é fácil. Mas é essencial.

Se você acha que peca e se desvia caindo na soberba, você pode começar a trabalhar sua autoestima  e a estudar sobre ela.

Isso ajudará você a ir diferenciando soberba e autoestima, e poderá verificar se está realmente sendo soberbo na sua vida.

Se estiver, reveja suas ações e seus pensamentos. Em último caso, procure ajuda profissional para se trabalhar e ver o que está faltando em você que leva a uma falta de autocrítica.

Está perdendo amizades por causa de orgulho? Fique atento a isso.

Procure meditar e se interiorizar. Observe seus defeitos. Todos temos defeitos. Reconheça-os, trabalho-os e admita para si mesmo que não é perfeito.

Não critique demais os outros e olhe para o que precisa ser corrigido em você mesmo. Ouça as críticas com carinho e atenção. A não ser, é claro, que sejam meramente destrutivas.



Marcello Salvaggio
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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.

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