julho 3, 2020

Respiração, espiritualidade e linguagem.

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Palavras-chave:

* Respiração

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* Pranayama

* Budismo

* Saúde

Respiração, espiritualidade e linguagem

Respiração, espiritualidade e linguagem

Com o termo spiritus, os romanos pretendiam indicar a respiração como uma função fisiológica. Portanto, já há muito tempo, vida, respiração e espiritualidade estão ligados também na linguagem.

Daí os termos e expressões “expirar”, “dar o último suspiro” e assim por diante como formas de fazer referência à morte.

Spiritus, em latim, também significava alma. Então “expirar” e “último suspiro” também equivaliam a entregar a alma a uma outra realidade.

A palavra sânscrita praṇa, por sua vez, se traduz literalmente como “vida”, e também, dependendo do contexto, como “respiração” ou “espírito”.

De acordo com a filosofia indiana, o prana é uma energia ou substância que todos os seres vivos possuem dentro de si e que absorvem pelo ar através da respiração.

De fato, além do mero oxigênio, também absorvemos a “vida” através da respiração. Por esse motivo, de acordo com a medicina chinesa, respirar é equivalente a um nutriente, porque através da respiração podemos respirar prana (ki e chi nas filosofias chinesas e japonesas) e melhorar a saúde.

Em grego, pneuma significa “sopro” e também “alma” ou “espírito”. Daí vem a raiz para termos médicos como “pneumologista”.

Rúaħ, em hebraico, representa o “espírito” entendido como a força vital do indivíduo, também ligada á respiração.

Já o Rūḥ dos muçulmanos pode ser o “espírito vital”, o “eu imortal”, ou também foi representado em algumas ocasiões como um anjo ou mesmo como uma “força vital” capaz de animar o inanimado.

O Seiðr nórdico, também nos cabe mencioná-lo aqui, era um sistema mágico xamânico antigo, principalmente feminino, cujo sentido se enraizava em algo muito semelhante ao mana polinésio, que também faz referência à respiração como algo conectado à força espiritual e vital.

Teyolía, por fim, era um conceito dos antigos astecas que pode ser traduzido literalmente como “o que torna as pessoas vivas” ou “o que faz as pessoas viverem”. Portanto, é entendido como “espírito”.

Assim, vemos que diferentes tradições associam respiração, vida e espírito. É um conceito praticamente universal. E isso seria o suficiente para explicar as relações entre espiritualidade e respiração.

No entanto, cabe a nós aqui aprofundar a questão.

A respiração no yoga

No yoga, a respiração executa uma função muito importante. Através dos pranayamas, ou seja, os exercícios respiratórios, direciona o despertar dos chakras, os centros de energia psíquica do ser humano.

Os principais são sete: coronário, pineal ou frontal, faríngeo, cardíaco, abdominal, sexual e básico.

Esse tipo de respiração, embora seja benéfico para todos os centros vitais, permanece na maior parte das vezes incompleto, sem alcançar seu objetivo, devido à incapacidade da maioria dos praticantes de alcançar o centro coronário.

É a partir do coronário que a verdadeira iluminação começa.

Portanto, a respiração do yoga é encarada, na maioria dos casos, como mero exercício para a saúde.

No caso dos que conseguem se elevar e praticar de forma séria e assídua, ela começa a promover uma maior abertura dos chakras. Isso leva a um aumento da percepção espiritual, que se torna muito mais intensa e nítida quando a energia começa a abrir o centro coronário.

A iluminação do centro coronário através da kundalini é a base decisiva para o desenvolvimento acelerado e superior da energia mental e espiritual.

Também promove um maior controle da energia física, e o ser humano se torna assim um ser mais integral: é promovida uma harmonia entre corpo-espirito, ou corpo-mente.

No nível fisiológico, saber controlar a respiração já é muito importante: todos os atletas, amadores e profissionais, sabem como gerenciar a respiração da melhor maneira possível, com base na intensidade do exercício físico realizado.

O yoga porém estimula o praticante a ir além do exercício voltado à saúde física.

Uma vez que o prana é absorvido pela respiração, essa energia vital entra em nosso corpo e é canalizada para o corpo energético, onde estão os chakras.

Mas se já sabemos que ela chega nos chakras, devemos ainda nos perguntar: como ela faz isso?

Os chakras estão conectados entre si por uma série de canais, chamados nadis. São canais energéticos semelhantes aos meridianos que são estudados pela medicina tradicional chinesa. Juntos, ajudam a promover a circulação da respiração sutil (ou seja, o prana).

Segundo a sabedoria indiana, o prana se divide em cinco espécies de sopros vitais, chamados também de vayu (“vento” em sânscrito).

Os cinco tipos de prana

Os cinco tipos de prana são:

Os cinco tipos de prana

Prana vayu: está localizado entre a cabeça e o coração e sua energia é usada para ações como falar, cantar, rir, mas também lutar, criar e dançar.

Apana vayu: está localizado na área sacral e nos músculos pélvicos. Sua energia flui para baixo, empurrando tudo o que tem que descer nessa direção. Envolve a formação de urina e fezes.

Udana vayu: está localizado próximo à garganta e sua função é a oposta da do Apana vayu. De fato, sua energia flui para cima e serve para expulsar tudo o que é indesejado do corpo, principalmente através da boca e do nariz. Portanto, alimenta ações como espirros, tosse e vômito.

Samana vayu: podemos encontrá-lo na área abdominal, especificamente ao redor do umbigo, e sua energia é usada para assimilar não apenas tudo o que ingerimos, mas também o que sentimos.

Vyana vayu: não possui uma área específica porque sua energia flui livremente por todo o corpo e ajuda a compensar e equilibrar os outros vayu. Sua energia também influencia as ações de relaxamento e contração, bem como o sentido do tato e os sentimentos de repúdio ou aversão.

Respiração e meditação zen

A meditação zen é uma forma meditativa ligada ao budismo japonês.

Para nos referirmos a ela, temos o termo Zazen, que é uma palavra composta por outras duas: za (“sentado”) e zen.

Zen é um termo que se originou do sânscrito dhyāna, palavra que significa “contemplação”. O zazen é, portanto, a meditação ou contemplação sentada. E para se chegar à contemplação do que é superior, e encontrar paz e serenidade,  utiliza-se a respiração.

A calma e a concentração aqui são alcançadas respirando profundamente e com muita calma.

O praticante se concentra em se manter estável na posição e procura remover as tensões sem se envolver com os pensamentos. A respiração serve como um foco para facilitar a observação dos pensamentos sem que eles interfiram na pessoa.

A posição das pernas enquanto se está sentado varia de acordo com os diferentes estilos e exercícios da meditação zen.

Mas todos têm em comum a atenção na respiração. Sem o foco nela, seria muito mais difícil caminhar para o esvaziamento da mente.

A respiração como alimento para o corpo e para a alma

A respiração é o começo e o fim. A vida começa com uma inspiração e termina com uma expiração.

A vida é encontrada no coração. É o coração que a contém como fogo. Enquanto que os pulmões são como o fole que anima e estimula esse o fogo.

O fenômeno da respiração pode ser comparado ao da nutrição. O que você faz quando come? Antes de enviar comida para o estômago, ele é mastigado. A boca é como uma pequena cozinha onde os alimentos são preparados: você corta, cozinha, tempera com um pouco de óleo (ou seja, a saliva), e certas glândulas são responsáveis por esse trabalho.

É por isso que é recomendável mastigar os alimentos por um longo período, até que fiquem quase líquidos.

Se o alimento que chegar ao estômago não foi mastigado o suficiente, o corpo é forçado a gastar muita energia para assimilá-lo, e essa é a causa de muitos estados de fadiga.

Não acredite que o cansaço sempre seja consequência de trabalhar demais: não! Muitas vezes ele resulta de um desperdício de forças.

Você deve saber que, para realizar o trabalho espiritual em boas condições, é necessário primeiro introduzir harmonia em sua maneira de se alimentar e respirar. As mesmas leis de fato governam os dois processos.

Não é bom respirar rapidamente sem que o ar tenha tempo de ir até os pulmões para enchê-los. Você precisa respirar devagar, profundamente e, de vez em quando, também precisa manter o ar nos pulmões por alguns segundos, antes de liberá-lo, para “mastigá-lo”.

Sim, os pulmões podem “mastigar” o ar, assim como a boca pode mastigar alimentos. O ar que aspiramos é como uma porção de nutrientes, cheia de forças novas.

Se for expelido muito rapidamente, os pulmões não podem “cozinhá-lo”, “digeri-lo”, assimilá-lo suficientemente para que o organismo possa se beneficiar das forças que ele contém.

É por isso que muitas pessoas vivem cansadas, nervosas, irritadas: não conseguem se “alimentar” adequadamente com o ar, não o “mastigam”, o expulsam imediatamente. Elas respiram apenas com a parte superior dos pulmões.

A respiração profunda é um exercício magnífico que seria preciso praticar sempre, pois renova as energias.

A respiração profunda é a respiração abdominal.

Se sua respiração não preenche seu abdômen, se é uma respiração curta que só envolve o peito, apenas as partículas mais grosseiras serão absorvidas.

Se, por outro lado, o ar é enviado para baixo, e é trabalhada a respiração com o diafragma, e o ar é mantido por alguns instantes ali, o pulmão começa a funcionar melhor.

Dessa forma começam a ser extraídas as partículas etéricas mais sutis, que podem ser enviadas para todo o organismo.

As células localizadas na parte inferior dos pulmões são projetadas para absorver o ar de uma maneira completamente diferente das encontradas na parte superior.

Portanto, é prejudicial à saúde respirar superficialmente, envolvendo só uma parte dos pulmões. O ser humano precisa de um trabalho integral dos órgãos do seu corpo para evoluir.

O exercício das narinas alternadas

O exercício das narinas alternadas

Vamos dar aqui um exemplo de um bom exercício de respiração.

1. Feche bem a narina esquerda e inspire profundamente o ar pela narina direita, contando quatro segundos.

2. Prenda a respiração por dezesseis segundos.

3. Feche bem a narina direita e expire o ar da narina esquerda contando oito vezes.

Passe então ao exercício ao contrário:

1. Mantenha a narina direita bem fechada e inspire o ar pela esquerda contando quatro segundos.

2. Prenda a respiração por dezesseis segundos.

3. Feche a narina esquerda e expire pela direita contando até oito.

Repita o exercício seis vezes para cada narina.

Quando você começar a fazer esse exercício com facilidade, poderá dobrar o tempo, ou seja, “oito, trinta e dois e dezesseis”, mas não é recomendável ir mais longe sem supervisão.

Na vida de um espiritualista, a respiração desempenha um papel de importância capital e, portanto, é necessário organizar o uso do tempo, para que você possa fazer esse e outros exercícios todas as manhãs, com o estômago vazio.

Após o café da manhã, não é mais o mesmo: os pulmões são prejudicados em seus movimentos e os benefícios não são tão grandes.

Os exercícios respiratórios devem ser realizados preferencialmente com o estômago vazio, ou quatro ou cinco horas depois de comer.

Respiração e oração

Uma oração acompanhada por uma respiração calma e profunda tem maior eficácia. Respirar conscientemente permite que nos liguemos melhor a Deus. É como se ele nos dissesse: “Respire bem e você ouvirá minha palavra.”

Tenha esta experiência: respire fundo e ore mentalmente. Ou vá alternando as palavras de sua oração com uma respiração densa e profunda.

Para fazer seus exercícios e suas orações, escolha um lugar silencioso onde ninguém possa incomodá-lo, coloque-se em uma posição confortável e respire.

Vamos propor mais um bom exercício que você pode fazer: inspire imaginando que está atraindo luz cósmica, aquela luz infinitamente mais pura e sutil que a luz do sol, aquela quintessência impecável e invisível que penetra tudo.

Deixe que a luz penetre em você para circular por todas as suas células e todos os seus órgãos.

Então, expirando, faça-a sair de você, projetandoao para iluminar a realidade ao seu redor e ajudar o mundo inteiro.

Este um exercício extraordinário, porque do ponto de vista cabalístico, você se torna a letra Aleph.

Aleph, a primeira letra do alfabeto hebraico, é o símbolo do Ser que recebe a luz celestial com uma mão e a distribui com a outra.

Você não pode “se tornar Aleph” se pensar exclusivamente em si mesmo, em guardar tudo para si. Aleph é o ser que pensa apenas em dar, aquecer, iluminar, vivificar, doar. Ele é um criador, um salvador da humanidade, um filho de Deus.

Aqueles que aprendem a respirar conscientemente, iluminam seu intelecto, aquecem seu coração, fortalecem sua vontade, mas também preparam melhores condições para suas futuras encarnações.

De fato, respirando com uma consciência desperta, o ser humano entra em harmonia com entidades altamente evoluídas, as atrai, cria um vínculo com elas.

Então, essas inteligências luminosas concordam em trabalhar nele, e um dia, quando ele deixar a Terra, encontrará nos outros mundos aqueles “amigos” com quem já aprendeu a trabalhar.


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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.


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