julho 10, 2020

Quem foi Hermes Trismegisto?

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Quem foi Hermes Trismegisto?

Hermes Trismegisto

Hermes Trismegisto foi um lendário personagem de tempos muito antigos, um alquimista e um mago, reverenciado como mestre do conhecimento e tradicionalmente considerado o autor do Corpus Hermeticum.

Hermes Trismegisto é a pedra fundamental da filosofia do Hermetismo. Pode-se dizer que nele se enraízam todas as correntes de pensamento herméticas.

Significado do seu nome Hermes Trismegisto

Hermes Trismegisto significa literalmente “Hermes três vezes grande”.

Este nome pretendia assimilar Hermes / Mercúrio o deus greco-romano da comunicação e mensageiro dos deuses, a Thot, o deus egípcio das letras, dos números e da geometria, um deus de sabedoria e erudição.

Como era costume dos egípcios repetir o adjetivo “grande” junto com o nome das divindades, Hermes foi, portanto, precisamente indicado como três vezes grande (tris-megisto), com a finalidade de salientar sua grandeza espiritual.

De acordo com o estudioso do século XVII, Athanasius Kircher:

“Os árabes o chamam de Idris, do hebraico Hadores (…), para os egípcios Thot, mas também o chamaram de Ptha, e os gregos de Hermes Trismegisto.”

Hermes Trismegisto: Origens

Hermes Trismegisto: Origens

Especialmente durante o helenismo, período que se deu após a conquista do Egito por parte de Alexandre, o Grande, que acabou levando a uma mescla entre costumes gregos e egípcios, Hermes foi associado a Thot, tornando-se um deus presente na tradição egípcia.

Ambos estão a serviço de uma divindade superior (Hermes é o mensageiro de Zeus, Thot é o escriba de Osíris); Hermes é o deus da palavra através da comunicação e Thot é o deus da palavra e da literatura; ambos são psicopombos, ou sejam, escoltam as almas dos mortos para o submundo.

Hermes e Thoth também são, em suas respectivas culturas, os deuses da escrita e da magia.

No período do Império Romano, tivemos um processo de assimilação das divindades gregas e egípcias, que se misturaram aos deuses romanos.

Hermes Trismegisto então foi identificado por algumas correntes como o deus que revelou uma verdade superior aos homens e como o mediador entre homens e deuses.

Clemente de Alexandria acreditava que os escritos sagrados de Hermes eram quarenta e dois e que continham o núcleo dos ensinamentos de formação dos antigos sacerdotes dos faraós,

Siegfried Morenz sugere a esse respeito que a referência à autoridade de Thot se baseava em uma tradição bastante antiga, e que o número “quarenta e dois” provavelmente derivou do número de nomes egípcios de Thot.

Jambílico atribuiu inúmeras obras de grande antiguidade e imensa importância a Hermes, e essas obras seriam muito antigas, ainda anteriores a Pitágoras e Platão, que teriam extraído desses textos parte de suas filosofias.

A origem egípcia das doutrinas herméticas foi confirmada mais tarde por alguns estudiosos atuais, como Martin Bernal.

Hermes Trismegisto: O Corpus Hermeticum

Um grande grupo de escritos iniciáticos e filosóficos foi atribuído a este notável iniciado.

Esses textos foram coletados na era bizantina, no que ficaria conhecido como Corpus Hermeticum, parte dos quais também foi encontrada entre os manuscritos de Nag Hammadi.

Como um todo, a “literatura hermética” é uma categoria de papiros que contém textos sobre magia e procedimentos de iniciação.

No diálogo de Asclépio (o deus grego da saúde e da medicina), que é parte do Corpus Hermeticum, é descrita, por exemplo, a arte de telestiké, que consiste em pretneder ou aprisionar anjos ou demônios dentro de estátuas, com a ajuda de ervas, pedras preciosas e perfumes.

Métodos para fazer essas figuras falarem e profetizarem também são descritos.

Em outros papiros, existem fórmulas para construir artefatos e animá-los. Além disso, os textos herméticos são geralmente divididos em duas categorias: filosófico e técnico.

O corpo hermético termina com o “lamento de Asclépio”, que denuncia o abandono da religião egípcia porque o significado espiritual da mesma foi perdido.

Segundo esse antigo texto, houve um tempo em que os sacerdotes eram capazes de fazer as estátuas falarem porque contatavam o divino.

Os sacerdotes tinham sucesso nisso porque eram os mediadores entre o divino e o sensível. Com o tempo, essa espiritualidade desapareceu e os sacerdotes não mais entendiam a mensagem divina através das estátuas.

Os sacerdotes tornaram-se “maus” (perdendo a espiritualidade) e suas estátuas foram destruídas, desfeitas em muitas partes: as estátuas são agora apenas pedaços de pedra.

Este relato simboliza a totalidade da perda do significado espiritual das coisas e o fim de um mundo.

A partir daqui se desenvolve a expectativa de uma nova espiritualidade, a expectativa de algo novo.

Alguns consideram o Lamento como um antecipador dos temas do Apocalipse.

Também se fala de uma teologia negativa: segundo esse ponto de vista, a teologia positiva não é a adequada para se apreender sobre o Absoluto, pois surge da capacidade distintiva da razão, que se move na pluralidade e na diversidade, diferentemente da Essência que é a unidade e a igualdade total.

Nomear Deus com nomes que se originam do mundo sensível pode nos fazer cair na idolatria.

Hermes Trismegisto disse: “Como Deus é o universo das coisas, nenhum nome é apropriado para ele, pois Deus deveria ser chamado por todos os nomes ou todas as coisas deveriam ser chamadas por seu nome.”

Isso significa que nenhum nome pode ser atribuído a Ele.

Então, a partir da teologia positiva que nomeia Deus com base nas definições e propriedades provenientes do mundo sensível, passamos à teologia negativa: nenhum nome pode nomear Deus

Nicolau Cusano elaborou esses aspectos do pensamento de Hermes em sua obra de 1400, “A ignorância aprendida”, em que se afirma que os nomes são apenas conceitos aproximados sobre Deus, porque ele é infinito e está além do que as palavras expressam.

Em 1453, durante uma viagem à Macedônia, ao passar por Constantinopla, o monge italiano Leonardo da Pistoia descobriu catorze livros originais, pertencentes a Miguel Pselo, de uma obra que remonta ao século 11, escrita em grego com o nome de Hermes Trismegistus e intitulada Hermetica.

De volta à Florença, o monge Leonardo entregou esta obra a Cosimo de’ Medici, que em 1463 pediu a Marsilio Ficino para traduzi-lo do grego para o latim. Assim teríamos a versão renascentista do Corpus Hermeticum.

Este texto foi a grande fonte de inspiração para o pensamento hermético e neoplatônico do Renascimento.

Hermes Trismegisto e o cristianismo

Hermes Trismegisto e o cristianismo

Lactâncio, conselheiro do imperador Constantino I, tratou de Hermes durante o início da era cristã.

Seu estudo sobre o Trismegisto foi uma influência decisiva para a história posterior, uma vez que, no Concílio de Niceia em 325, ele debateu sobre a natureza do Filho de Deus e teria vencido a doutrina hermética.

A partir daí o hermetismo se tornou algo marginal e paralelo à corrente de pensamento cristã católica predominante.

Mesmo assim o hermetismo teve uma influência significativa na cultura medieval e renascentista.

As obras atribuídas a Hermes Trismegisto tinham grande crédito entre os intelectuais e eram muito populares principalmente entre os alquimistas, que acreditavam que seu autor havia sido um “homem sábio” que realmente tinha existido e vivido no Egito Antigo.

Segundo alguns pensadores da época, o Trismegisto teria sido um dos filhos do próprio deus Hermes.

Já na cabala do período renascentista, imaginava-se que ele fosse um personagem contemporâneo a Moisés e que teria comunicado aos seus seguidores uma sabedoria paralela à do patriarca bíblico.

Hermes Trismegisto nos tempos modernos

Nos tempos modernos, Hermes Trismegisto é considerado por muitos ocultistas como o patrono das ciências antigas da astrologia e da alquimia.

Teria sido, segundo alguns, o primeiro alquimista de que se tenha notícia a pisar sobre a Terra.

A influência da figura de Hermes é tão grande que ele também aparece em muitos livros de literatura de ficção.

No romance de Stefano Benni, “Elianto”, ele tem a tarefa de inventar as leis da natureza e de montar os animais a partir de uma caixa de montagem que contém peças fornecidas por Deus.

Hermes Trismegisto é frequentemente citado no romance “O Pêndulo de Foucault”, de Umberto Eco.

E seu nome também aparece no romance “Picatrix”, de Valerio Evangelisti, e em muitos contos e romances de H.P. Lovecraft.

Há quem diga que ele nunca tenha existido, que tenha sido na verdade uma figura simbólica inventada por diferentes iniciados. Ou que tenha existido, mas que nem todas as obras sob o seu nome sejam de sua autoria. Afinal, até o século XIX, era comum muitos escritores usarem nomes de grandes autoridades e sábios do passado, em lugar do próprio nome, para darem mais valor aos seus escritos.

De qualquer forma, o que mais importa é que os ensinamentos de Hermes são válidos para o crescimento espiritual humano, e que são um grande tesouro de sabedoria, uma valiosa herança de um ou mais sábios do passado para a humanidade.


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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.


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