janeiro 7, 2021

Om mani padme hum: o mantra sagrado da compaixão

O que significa o mantra Oṃ Mani Padme Hum?

mantra Oṃ Mani Padme Hum

O mantra Oṃ Maṇi Padme Huṃ é um dos mais conhecidos e mais difundidos entre os numerosos mantras que fazem parte da herança religiosa do Budismo Mahayana, especialmente do Budismo Tibetano.

É comum, e um tanto errado, que ele seja traduzido como “Ó Jóia da Flor de Lótus!”. Na verdade, seu significado literal é “Ó Jóia do Lótus!” referindo-se, em sânscrito, a um dos títulos do bodhisattva da compaixão Avalokiteśvara, ao qual este mantra é explicitamente dirigido.

O título é justamente Manipadma, “Jóia do Lótus”.

Os bodhisattvas são seres iluminados que abriram mão de deixar definitivamente o mundo das manifestações e entrar no Nirvana para ajudar os seres humanos.

O Oṃ Maṇi Padme Huṃ está intimamente relacionado à figura deste bodhisattva da compaixão, Avalokiteśvara, que é conhecido em chinês como Guānyīn, no japonês como Kannon, no tibetano como Chenrezig.

Como é formado o mantra Om Mani Padme Hum?

Este mantra é composto de uma sequência de seis sílabas sagradas.

Elas devem ser pronunciadas pelo praticante com profunda fé, no foco de entrar na essência do bodhisattva, que é a compaixão, o amor universal.

Seu significado é fortemente simbólico, vai além da sua tradução literal, e é recomendado em todas as situações de perigo ou sofrimento, ou para ajudar outros seres em condições de sofrimento.

Um dos significados mais difundidos atribuídos a ele é a colocação da joia (símbolo da mente iluminada) no lótus (que é um símbolo da consciência humana).

Alguns textos tibetanos ligam a recitação deste mantra e de suas seis sílabas com os seis Budas que atuam nos seis destinos.

Seu significado simbólico, neste contexto de interpretação, corresponderia a:

Buda Ratnasaṃbhāva

1 – Oṃ (cor branca): conexão com o Buda Ratnasaṃbhāva. Protege do orgulho e, portanto, do destino dos devas, que no budismo seriam seres e espíritos superiores, dotados de grandes poderes e sabedoria, mas que ainda podem cair no pecado da soberba;

2 – Ma (cor verde): conexão com o Buda Amoghasiddhi. Ele protege do ciúme e da cobiça. Portanto protege do destino dos asuras, que são no budismo e no hinduísmo entidades que são rivais dos devas.

3 – Ṇi (cor amarela): conexão com o Buda Śākyamuni, ou seja o Buda que todos conhecemos, Sidharta Gautama. Protege da ignorância e, portanto, do destino dos homens. Afinal, os seres humanos estão iludidos na ilusão do véu de Maya, que seria a “Matrix” do mundo.

4 – Pad (cor azul): conexão ao Buda Vairocana (ou Vairochana). Protege contra a inconsciência e a escuridão mental. Portanto, do destino dos animais, que vivem guiados apenas pelos instintos.

5 – Me (cor vermelho): ligação com o Buda Amitābha (o buda Amida para os japoneses). Protege da ganância e, portanto, do destino dos pretas. Que são espectros e fantasmas famintos da mitologia e espiritualidade budista e hindu.

6 – Huṃ (cor preta): conexão com o Buda Akṣobhya. Protege da raiva e do ódio. Portanto, do destino infernal.

Em suma, o mantra, no sentido místico e esotérico, protege nossas vidas do mal e também visa facilitar nossas futuras reencarnações, fazendo com que fiquemos cada vez mais acima dos defeitos de cada categoria de ser.

No Tibete, esse mantra é encontrado em toda parte: gravado nas rochas, esculpido nos templos, pintado nas bandeiras (chattar), e suas seis sílabas são pintadas de acordo com diferentes cores simbólicas.

Como posso usar em minha vida o mantra Om Mani Padme Hum?

Como posso usar em minha vida o mantra Om Mani Padem Hum?

Este mantra é um poderoso auxiliar na meditação.

Quando estiver com dificuldades de concentração, recite-o e ele ajudará você a se focar e esvaziar sua mente.

Até pela sua egrégora, tendo sido recitado há séculos por milhões de pessoas, ele também irá atrair coisas e vibrações positivas para a sua vida.

O mestre do atual Dalai Lama, Trijang Rinpoche (1901-1981) escreveu um comentário sobre o mantra Om Mani Padme Hum, onde afirmou:

“Quanto a mani padme, a Jóia do Lótus, é um dos nomes do nobre Avalokitesvara.

A razão pela qual ele é chamado assim é que, assim como um lótus não fica sujo de lama, o próprio nobre Avalokitesvara, por meio de sua grande sabedoria, abandonou a raiz do samsara, ou seja, todas as manchas e erros da existência.

Portanto, para simbolizar que ele está além da existência mundana, ele segura um lótus branco em uma das mãos.

Ele também une as palmas das duas mãos superiores (temos que nos lembrar aqui que os bodhisattvas às vezes são representados com mais de duas mãos ou mais de dois braços), fazendo o gesto de segurar uma joia para simbolizar sua libertação.

Assim como um joia concede desejos, ele elimina toda a opressão do sofrimento para todos os seres e concede a eles todos os benefícios e bênçãos temporários e definitivos.”

O Om Mani Padme Hum segundo o atual Dalai Lama

O atual Dalai Lama disse:

É muito bom recitar o mantra Om Mani Padme Hum, mas, enquanto se recita, deve-se pensar nos significados, pois os significados das seis sílabas são muitos e vastos.

O Om […] simboliza o corpo, a fala e o discurso impuros do indivíduo; ao mesmo tempo ele simboliza a pureza do corpo, da fala e da mente do Buda […]

As próximas quatro sílabas indicam o Caminho.

“Mani” significa “joia” e simboliza o método que é a intenção altruística de se tornar iluminado, simboliza compaixão, e amor. […]

As duas sílabas “Padme” significam lótus e simbolizam a sabedoria […]

A pureza deve ser atingida através da unidade indivisível do método e da sabedoria, o que é simbolizado pela sílaba final ‘hum’, que significa indivisibilidade […]

Assim, as seis sílabas, Om Mani Padme Hum, significam que a prática do Caminho leva à transformação do corpo, da fala e da mente impura na exaltação de pureza que são o corpo, a fala e a mente do Buda […]

—H.H. Tenzin Gyatso, 14° Dalai Lama, “Sobre o significado de OM MANI PADME HUM”.

Assim, siga o exemplo do Dalai Lama e busque a calma e a paz interior.

Dessa forma, ficará mais perto da iluminação e irá se cada vez mais se sentir livre dos apegos e problemas que dificultam a nossa vida neste plano.

O mantra Om Mani Padme Hum é uma proteção poderosa

O mantra Om Mani Padme Hum costuma ser escrito em pedras e bandeiras.

Em alguns lugares no oriente, as pessoas colocam essas bandeiras e pedras dentro e ao redor de suas casas para se proteger. A vibração do mantra é tão alta que tem um efeito purificador.

A maneira mais eficaz de neutralizar o carma negativo é usar a lei da compaixão e da misericórdia. Assim, Om Mani Padme Hum se torna uma das ferramentas mais importantes para a proteção de alguém.

Om Mani Padme Hum: um mantra que torna os desejos realidade?

Se pensamentos negativos vierem até você repetidamente, repita o mantra Om Mani Padme Hum e concentre-se nele em vez de se focar na negatividade.

Quando você se concentra no Mantra, não vai mergulhar em pensamentos e emoções negativas. Isso dá a você a capacidade de se concentrar em alcançar seus objetivos e, dessa forma, a realização de seus desejos é facilitada.

Cantar o mantra Om Mani Padme Hum purifica o corpo mental, o corpo emocional, o corpo energético e o corpo físico. Isso lhe dá a clareza de que você precisa para atingir seus objetivos.

O efeito a longo prazo é a purificação de várias fraquezas, como orgulho espiritual e desonestidade para consigo mesmo e para com os outros. Também nos liberta de preconceitos e de crenças supersticiosas.

O mantra Om Mani Padme Hum também limpa o chakra do plexo solar de emoções negativas como irritação, raiva, violência, ciúme e inveja.

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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.


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