junho 22, 2021

Egoísmo e narcisismo são a mesma coisa?

O egoísmo é sempre ruim?

egoísmo

Egoísmo e narcisismo: A crença de que uma pessoa egoísta é um ser desprezível está profundamente enraizada em nossa cultura e, portanto, na vida diária. A tal ponto que não é incomum que as pessoas desistam de seus objetivos ou de suas aspirações legítimas por medo de parecerem egoístas aos olhos dos outros.

Acontece também que alguém prefere ceder aos desejos dos outros, mesmo sabendo que isso irá causar aborrecimento e sofrimento, em vez de se arriscar a decepcionar ou magoar as pessoas ao seu redor.

Esses comportamentos surgem de necessidades inconscientes de defesa e proteção, como a necessidade de ser amado no “bloco de pertencimento”.

Altruísta, egoísta ou narcisista: qual dos três você acha que pode ser considerado uma pessoa boa? Certamente você vai dizer o altruísta, mas vamos pensar de forma mais profunda.

Os comportamentos que mencionamos, que nos levam a pensar nos outros não pelos outros em si, mas por desejo de proteção, são realmente altruístas?

Atitudes gregárias, que visam o grupo são um legado de tempos remotos, durante os quais o isolamento sempre foi um grande perigo e tudo tinha que ser feito para evitar o abandono do grupo.

Hoje as coisas são diferentes e, portanto, comportamentos pseudo-altruístas levam inevitavelmente a um jogo existencial.

Uma máscara de altruísmo e grande disponibilidade é usada como “instrumento” para garantir a aprovação que acreditamos necessitar na família, com o nosso parceiro ou no trabalho.

Uma máscara que aprisiona a longo prazo em relacionamentos falsos, baseados na negação das próprias necessidades.

Não estamos aqui, que fique bem claro, condenando o altruísmo, que quando parte do coração, do fundo da alma, é profundamente nobre.

Pensemos nos grandes mestres espirituais, nos santos, naqueles que deram suas vidas por uma causa maior, por um bem maior. Mas todas as pessoas estão preparadas para isso, para suportar um grau muito elevado de altruísmo?

Há vezes em que naquele momento da pessoa ela não tem como ser puramente altruísta sem sofrer ainda mais do que faria sofrer os outros.

Quando o egoísmo é espontâneo e o altruísmo artificial

Quando o egoísmo é espontâneo e o altruísmo artificial

O altruísmo forçado não é natural: é um comportamento aprendido e falso, que além disso cria expectativas muito fortes em relação aos outros. Fica aquele pensamento: se eu for altruísta e desistir das coisas que me interessam “para o seu próprio bem”, você fará o mesmo, não é? Onde está o verdadeiro altruísmo nisso? O falso altruísta quer ter uma carta, um trunfo, para jogar na cara da outra pessoa quando precisa.

Os falsos altruístas ficam portanto sempre decepcionados, o que é bom, porque só assim talvez possam abrir os olhos para o fato de que o egoísmo, do ponto de vista psicológico, significa simplesmente cuidar de si.

Este é um comportamento perfeitamente natural que encontramos em todo o mundo vegetal e animal. A questão é alcançar um equilíbrio. Aquela dose de egoísmo que pode nos trazer felicidade sem prejudicar os outros.

Por exemplo, você é um adolescente e quer seguir uma carreira que seu pai ou mãe não considera viável do ponto de vista financeiro. Ele/ela tem todo o direito de te aconselhar, mas não pode exigir que você siga outra carreira, mais viável socialmente e economicamente (na teoria).

Se você for “altruísta” e para satisfazer seus pais seguir a carreira que não gosta, acabará sendo infeliz e isso poderá inclusive gerar um conflito com eles. Estará provocando dor tanto para si como poderá acabar provocando brigas e sofrimento com seus pais.

Os desentendimentos podem ocorrer também se escolher o caminho que deseja, mas será o seu caminho, não o deles, e não os está ofendendo decidindo fazer o que gosta.

Mesmo que você quebre a cara depois, de alguma forma, é o seu aprendizado, e as quedas também fazem parte do crescimento do ser humano.

Narcisismo, overdose do ego

Muitas vezes o egoísmo é confundido com outro tipo de comportamento, que é perigoso e até patológico: o narcisismo.

Isso é um equívoco porque se compara um importante recurso de autoestima e bem-estar, o egoísmo natural e moderado, a um estilo existencial que, principalmente nas formas mais graves, se configura como um verdadeiro transtorno psicológico, o transtorno narcisista da personalidade.

O portador desta patologia psicológica caracteriza-se por uma idealização extrema de si mesmo que o leva ao campo de comportamentos anti-sociais marcantes e também a uma forte falta de empatia para com os outros indivíduos, vistos apenas como meio de satisfação e confirmação da própria superioridade.

Nos narcisistas, a auto-exaltação sem autocrítica pode ser vista como a tentativa inconsciente de esconder uma insegurança existencial muito profunda, impossível de enfrentar diretamente.

Essa dor interior não é reconhecida pelo narcisista, que vive na busca contínua e desesperada de conquistas, confirmações, sucessos. O narcisista não hesita em manipular outras pessoas para atingir seus objetivos e parece completamente insensível à dor que isso causa em suas vítimas: já a partir deste breve exame fica claro que o narcisismo é uma doença complexa que requer as habilidades de um psicoterapeuta para ser devidamente tratada.

Valorizar a si mesmo é bom para a alma

Valorizar a si mesmo é bom para a alma

Ao contrário do narcisismo, o egoísmo saudável não deve ser combatido, mas valorizado, pois é a principal forma de acesso a um modo de vida mais espontâneo e autêntico.

Reconhecer as próprias necessidades e exigências, além do que os outros esperam de nós, nos permite tirar a máscara de benfeitores e realmente nos mostrarmos como quem somos.

Ao deixarmos de distorcermos a nós mesmos para agradar aos outros, também deixaremos de depender deles.

Isso leva a duas consequências importantes: por um lado, esse comportamento finalmente nos tornará responsáveis por nossa felicidade e por nossas ações para alcançá-la, não mais delegadas a outros; por outro lado, aumentará nossa autoestima, porque estando mais em contato com nossa verdadeira essência, teremos mais acesso a certos recursos internos que nos permitirão desenvolver nosso potencial.

O egoísmo cria bons relacionamentos?

O egoísmo saudável também é mais funcional para os relacionamentos do que qualquer altruísmo falso.

Somente aprendendo a ouvir a nós mesmos e às nossas necessidades, de fato, poderemos nos abrir ao outro de maneira autêntica e viver uma relação não mais baseada na renúncia e na dependência, mas na expressão e na autonomia.

Gera-se um relacionamento espontâneo, livre de frustração, que não busca aprovação, mas prospera na afirmação.

É por isso que o egoísmo tem muito pouco a ver com o narcisismo: o narcisista se alimenta do outro, o egoísmo de si mesmo e da valorização do próprio potencial!



Marcello Salvaggio
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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.

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