abril 2, 2019

Cabala: como a tradição misteriosa pode mudar sua vida

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Cabala é conhecida historicamente por ser uma linha de interpretação mística e esotérica dos mistérios relacionados ao judaísmo. É, essencialmente, o judaísmo esotérico, mas é muito estudada e aplicada também no hermetismo e em diversas tradições mágicas.

O judaísmo reconhece a Torá como seu maior livro sagrado, um compêndio dos 5 primeiros livros sagrados encontrados na Bíblia tradicional (o chamado pentateuco). A Torá contém o Gênesis, o Êxodo e a história do povo judaico, e teria sido entregue por Deus a Moisés no topo do monte Sinai.

As histórias bíblicas da criação do mundo, como o Dilúvio Universal e a arca de Noé, são extremamente conhecidas por religiosos do mundo todo. Porém a Cabala proporciona uma interpretação distinta da maneira como as religiões enxergam os textos sagrados.

Quem se interessar em descobrir o que vem a ser a Cabala, encontrará uma série de procedimentos interpretativos que não buscam entender histórias como o Gênesis de maneira literal. A Cabala utiliza ferramentas como a numerologia – a chamada Gematria no contexto judaico – e interpretações das palavras e letras em hebraico para descobrir ensinamentos nas escrituras.

Esse método de interpretação é chamado de Midrash e pode revelar verdadeiras mensagens ocultas nas ações e reações dos textos bíblicos. Todos esses ensinamentos levam a uma compreensão diferenciada da vida e mesmo da natureza de Deus.

Cabala: como a tradição misteriosa pode mudar sua vida

Os praticantes tradicionais acreditam que as origens da Cabala antecedem as próprias religiões do mundo, formando um modelo primordial das filosofias, religiões, ciências, artes e sistemas políticos. Tanto que Cabala significa “Tradição”.

Historicamente, a Cabala surgiu, depois das primeiras formas de misticismo judaico, no sul da França e na Espanha nos séculos XII e XIII, sendo reinterpretada durante o renascimento místico judaico do século XVI. Foi popularizado na forma do judaísmo hassídico a partir do século XVIII.

O interesse do século XX na Cabala inspirou uma renovação entre as denominações religiosas e contribuiu para uma espiritualidade contemporânea mais ampla entre os não-judeus, gerando também um renascimento próspero e uma importância histórica graças à pesquisa recentemente estabelecida tanto nas universidades como nas Ordens místicas.

A boa notícia é que você não precisa ser um místico especialista em judaísmo com décadas de estudo para trazer alguns dos ensinamentos da Cabala para a própria vida. Vamos começar falando um pouco mais desse aspecto mais prático!

A Cabala e a responsabilidade sobre as mudanças em sua vida.

Uma das principais diferenças entre a Cabala e a religiosidade tradicional é a maneira de compreender Deus ou o Criador.

Para a religião judaico-cristã, Deus é um criador que reage aos nossos pecados, para quem devemos pedir perdão e ajuda para obtermos as mudanças que desejamos em nossas vidas. Uma pessoa religiosa é levada a fazer atos benevolentes e a ser caridosa para praticar o bem, mas isso não implica em realmente mudar e encontrar a natureza altruísta em sua alma. Dentro dela, ela ainda pode ser egoísta.

Na interpretação da Cabala, o Criador não é afetado por nossas ações no mundo. Em última instância, o fato de pecarmos ou não só afeta a nós mesmos. O Criador é perfeito e estático, não muda, não se afeta e está presente em tudo, em toda a criação, a começar por sua primeira emanação na Árvore da Vida, que é conhecida como Kether, a “Coroa”, o plano mais elevado, até Malkuth, o “Reino”, o nosso mundo).

Assim, para a Cabala, Deus é o próprio universo, incluindo árvores, animais e nós mesmos. Por isso, devemos buscar uma conexão com o todo, por meio do aperfeiçoamento de nossas almas, em um profundo trabalho interno.

Assim, os ensinamentos da Cabala não trazem orações, mas ensinamentos sobre como lidar com a vida e criar seu caminho rumo à divindade. É algo bastante prático.

O trabalho interior da Cabala implica em abandonar uma atitude egoísta com relação à vida e adotar uma visão altruísta, capaz de aprender e aceitar qualquer ocorrência, boa ou ruim, como um aprendizado.

Para a Cabala, cada sofrimento ou alegria é uma expressão da lei de causa e efeito e devemos aprender a reconhecer cada passo como um caminho rumo à vida plena em conexão com o universo, com Deus ou com o Criador.

A árvore da vida na Cabala

A poderosa filosofia esotérica da Cabala está representada no símbolo mais famoso dessa tradição, a chamada “Árvore da Vida”, que mencionamos há pouco.

Como vimos, a ideia é que devemos mudar e aperfeiçoar a nós mesmos, para nos aproximarmos de Deus. A árvore da vida é uma espécie de mapa do universo e de nossa mente. A sua constituição é formada pela geometria sagrada, uma interpretação visual das palavras e números dos textos sagrados.

A árvore da vida é, resumidamente, o caminho até Deus. Ela é formada por 10 emanações, que são 10 esferas interconectadas chamadas de Sefirotes (Sephirot em hebraico). Cada Sefira (Sephirah em hebraico) tem um poder e uma característica específicos.

Conheça mais sobre esse símbolo em nosso artigo sobre o tema.

Cabala: como a tradição misteriosa pode mudar sua vida

Os três elementos da alma segundo a Cabala

A Cabala considera que a alma humana tem três elementos: nefesh, ru`ach e neshamah.

Nefesh é encontrado em todos os seres humanos e entra no corpo físico no momento do nascimento. É a fonte da natureza física e psicológica da pessoa.

As outras duas partes da alma não são implantadas no momento do nascimento, mas podem ser desenvolvidas ao longo do tempo: seu desenvolvimento depende das ações e crenças da pessoa.

Alguns cabalistas dizem que elas se manifestam de forma plena somente em pessoas espiritualizadas. Uma maneira simples para explicar os três elementos da alma é a seguinte:

Nefesh (נפש): a parte inferior, ou “parte animal”, da alma. Está conectada com instintos e desejos corporais. Esta parte da alma é dada no nascimento.

Ruach (רוח): a alma do meio, o “espírito”. Contém virtudes morais e a capacidade de distinguir entre o bem e o mal.

Neshamah (נשמה): a alma superior, ou “alma superna”. Ela separa o homem de todas as outras formas de vida. Está relacionada ao intelecto e permite que o homem desfrute da vida após a morte. Permite que você tenha uma certa consciência da existência e presença de Deus.

O que está esperando então para começar a desenvolver as duas partes mais nobres da alma? O que aguarda para desenvolver a percepção da centelha divina em si mesmo?

Você pode começar por duas reflexões.

Duas reflexões da Cabala que podem ajudar a sua vida

A Cabala é um estudo ancestral e complexo. Hoje em dia ela se popularizou e pessoas famosas como a cantora Madonna – que frequenta um centro de Cabala nos EUA – ajudaram nesse processo. Ainda assim, anos de estudo e experiência são necessários para você compreender os mistérios dessa ciência.

Isso não quer dizer que não podemos aplicar alguns princípios da Cabala agora mesmo em sua vida. Que tal refletirmos um pouco sobre o que essa doutrina nos diz?

  • Responsabilidade sobre seu caminho – Somos acostumados a culpar motivações externas por tudo que acontece conosco. Na verdade, as coisas só podem nos afetar porque permitimos que isso aconteça. Preste atenção ao que te incomoda. Normalmente esses incômodos são sinais de coisas que não queremos ver em nós mesmos. A partir disso, trabalhe para tomar o controle da sua vida. Encontrar paz interior é viver em equilíbrio com o exterior.
  • O poder das palavras – As palavras são muito importantes na Cabala. Deus criou o mundo pelo verbo e o estudo das letras e números revela a importância da fala divina na criação do cosmo. Em nossas vidas, quando falamos estamos criando a realidade. Palavras e frases negativas têm o poder de nos deixar pra baixo, sem força para prosseguir. Já palavras positivas, se ditas com intenção verdadeira, podem nos erguer em momentos de dificuldade e motivar. Preste atenção nas palavras que você usa e na vibração que elas adicionam em sua vida. E não esqueça que o silêncio é também precioso e divino. Muitas vezes, ficar quieto é restaurador e contribui na autopreservação. Você evita brigas e discussões que só levariam a uma piora nos relacionamentos.

E você? Acredita que somos seres conectados com o universo? Estamos ansiosos para saber a sua opinião, comente em nosso blog!

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