junho 15, 2020

Buda, o Iluminado e as 4 verdades.

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O nome Buddha

O termo sânscrito Buddha (Buda) indica, no contexto religioso e cultural indiano, “aquele que despertou” ou “aquele que alcançou a iluminação”. Ou seja “o Desperto.”

É portanto um título, não uma pessoa.

buda

Aquele que costumamos conhecer como “Buda” foi um monge, filósofo e místico indiano chamado Sidharta Gautama.

Foi o fundador do budismo e uma das figuras espirituais e religiosas mais importantes da Ásia e do mundo.

De acordo com várias investigações históricas, ele viveu entre 566 a.C. e 486 a.C e veio de uma família rica e nobre do clã Sakya, daí o nome Sakyayamuni (“o sábio da família Śakya).

Palavras-chave:

* Budismo

* Mestres

* Iluminação

* Meditação

* Índia

Outros nomes de Buda

Outros nomes com os quais Gautama Buda é freqüentemente referido são os termos em sânscrito:

Tathāgata: por esse nome que frequentemente é chamado nos sermões. Significa “O que assim foi” ou “O que assim veio.”

Sakyamuni: “O sábio dos Sakya” (como já dissemos, referindo-se ao clã ao qual Gautama Buda pertencia), usado principalmente na literatura do budismo Mahayana.

Sugata: “O que bem foi”, usado acima de tudo nas escrituras do budismo Vajrayana, mas também frequente no cânon pāli, uma importante coletânea de textos budistas.

Bhagavān: Este é um termo que pode significar Senhor, Venerável, Ilustre, Abençoado, Sublime, Perfeito. Vem do substantivo sânscrito bhaga, que significa “riqueza” e “sorte”. Na literatura budista, indica o Buda.

Bodhisattva: “Aquele que está percorrendo o caminho para se tornar um buda”, ou “aquele que procura alcançar o “despertar” ou “aquele cuja mente (sattva) está fixada no bodhi, na pureza”; este é um termo que costuma ser usado na literatura budista para indicar Gautama antes da realização da condição de Buda.

As vidas passadas de Buda

As vidas passadas de Buda

Na tradição budista, a vida de Gautama teria sido precedida por inúmeros outros renascimentos. Numa perspectiva budista, esses renascimentos não coincidem com o conceito de reencarnação, ou de transmigração de uma alma individual, pois o conceito de eu permanente ou alma ( que os hindus chamam de Atman) é explicitamente negado no budismo com a doutrina do Anatman.

Não são formas de reencarnação, mas uma sucessão de vidas ligadas entre si pela transmissão dos restos do karma.

Este é um complexo conceito filosófico de difícil entendimento para nós ocidentais. Mas resumidamente é como se apenas renascessem os efeitos do karma, e não uma pessoa em si. Como se as cinzas continuassem existindo, mas não a fogueira.

Essas vidas passadas, chamadas de Jātakas (“vidas anteriores), tradicionalmente fazem parte integrante da vida de Gautama nos relatos escritos.

Foram incluídas no cânone budista e são compostas de 547 contos edificantes em que aparecem animais, deuses e homens dos mais diversos contextos sociais e de vida.

Buda: As fontes

Existem inúmeras tradições canônicas sobre a vida de Gautama Buda. A mais antiga biografia de Gautama Buda ainda disponível hoje é o Mahāvastu, um trabalho da escola Lokottaravāda do budismo Nikāya, que tem sua origem no início da nossa era cristã.

Há também o Lalitavistara, o Buddhacarita de Ashvaghoṣa e o Abhiniṣkramaṇasūtra. Cinco versões deste último livro (ou sutra, como são chamados estes livros em sânscrito) estão disponíveis no cânone chinês.

Mais tarde, a partir do século IV ou V, foram surgindo muitas outras biografias e discursos, sempre de autoria anônima.

Segundo o estudioso Erich Frauwallner, todo esse material biográfico faria parte de uma primeira biografia composta um século após a morte de Buda.

O nascimento de Buda

No geral, essas biografias tradicionais falam de seu nascimento no sul do Nepal, em Lumbinī (não muito longe de Kapilavastu), e coletam inúmeras histórias e lendas que têm o objetivo de destacar a natureza extraordinária do evento: milagres anunciam seu nascimento; aparecem sinais claros de que o bebê que estava prestes a descer ao mundo seria um Buda, um Iluminado.

Diz-se que sua família de origem, os Sakya, era rica: uma linhagem de guerreiros que estava entre as que dominavam o país.

O pai de Siddartha, Suddhodana, reinou sobre um dos muitos reinos em que o norte da Índia estava politicamente dividido. A mãe, chamada Māyā (ou Mahāmāyā), é descrita como tendo grande beleza.

Suddhodana e Māyā estavam casados há muitos anos e não tinham filhos. Diz-se que Mahāmāyā sonhou que um elefante branco penetrava em seu corpo sem dor.

Então recebeu no útero, sem nenhuma impureza, o pequeno Sidarta, que foi parido na floresta de Lumbinī.

O menino nasceu sem dor, saindo da parte lateral do corpo da mãe.

Siddharta, segundo a lenda, nasceu plenamente consciente e com um corpo perfeito e luminoso. Após sete passos ele pronunciou as seguintes palavras:

“Nasci para conseguir a Iluminação. Pelo bem de todos os seres, esta é minha última existência no mundo.”

Depois que Siddartha nasceu, brâmanes (sacerdotes) e yogues (monges ou ascetas dedicados à prática do yoga) foram convidados para uma cerimônia especial.

Durante esta cerimônia, diz-se que o velho sábio Asita desenhou, como era costume, o mapa astral do recém-nascido e falou aos pais sobre as excepcionais qualidades deles e sobre a natureza extraordinária de seu destino.

Em lágrimas, ele explicou que ou o menino iria se tornar um rei universal (Chakravartin em sânscrito) ou um asceta (sábio, monge) renunciante, destinado a alcançar o despertar.

Ele descobriria o luminoso Caminho que leva além da morte, isto é, seria um Buda.

Quando perguntado por explicações sobre o motivo de suas lágrimas, o velho sábio explicou que elas se deviam tanto à alegria por ter descoberto um ser assim no mundo, quanto à tristeza porque já era muito velho, e não poderia ver em ação um Iluminado.

Não poderia se beneficiar dos ensinamentos de um ser tão realizado. Mas então seu neto Nālaka jurou que seguiria o Mestre depois que ele crescesse e que aprenderia com ele e praticaria os ensinamentos.

Buda: As preocupações do pai

Buda: As preocupações do pai

Siddharta poderia vir a ser um rei. Mas seu pai ficou preocupado com a possibilidade de seu filho se tornar um monge e o abandonar. Cortaria assim o processo de sucessão legítima ao trono.

Então organizou tudo o que poderia impedir o evento previsto pelo sábio.

A mãe Māyā morreu apenas sete dias após o parto e o bebê foi criado pela segunda esposa do rei Suddhodana, Pajāpatī, uma irmã mais nova da falecida Māyā. Cresceu no maior luxo. Após ter recebido o nome de Siddharta (“aquele que atingiu a meta”) Gautama (“pertencente ao ramo de Gauta dos Sakya”, uma linhagem de sua família).

Siddhartha mostrou uma tendência meditativa inicial.

Mas seu pai queria que ele fosse um guerreiro e soberano, e não um monge.

O príncipe se casou jovem, aos dezesseis anos, com sua prima Bhaddakaccānā, também conhecida pelo nome de Yashodharā, com quem ele teve, treze anos depois, um filho, Rāhula.

Embora ele tenha sido criado no meio de conforto e do luxo e obrigado a participar da vida na corte como herdeiro do trono, a profecia do sábio se tornaria realidade.

Buda: A fuga

Aos vinte e nove anos, sem saber da realidade que existia do lado de fora, ele deixou o palácio real do pai para ver a realidade do mundo.

Testemunhou a crueldade da vida de uma maneira que o deixou atordoado.

Ao encontrar um homem velho, um homem doente e um homem morto (outras fontes falam sobre um funeral), ele subitamente entendeu que o sofrimento une toda a humanidade. E que as riquezas, a cultura, o heroísmo, tudo o que lhe tinha sido ensinado na corte, eram valores efêmeros, passageiros.

Ele entendeu que estava em uma gaiola de ouro e começou a recusar internamente confortos e riquezas.

Pouco depois de encontrar um monge mendigo, calmo e sereno, ele decidiu desistir de sua família, riqueza, glória e poder para buscar a libertação espiritual.

Buda: Siddharta como monge

Depois de escapar da sociedade, Siddharta Gautama se tornou discípulo do monge Āḷāra Kālāma, que estava na região de Kosala.

Lá ele praticou, sob sua orientação, exercícios de meditação e ascetismo, para atingir a “esfera da nulidade” que para Āḷāra Kālāma era o objetivo final da libertação, que os hindus conhecem como Mokṣa.

Insatisfeito com a conquista, Gautama então se mudou para a capital do reino Magadha para seguir os ensinamentos de Uddaka Rāmaputta.

Para este mestre, a libertação era alcançável através da esfera da não percepção, mas Siddharta continuou insatisfeito.

Buda: A Iluminação

Siddharta chegou então a praticar técnicas extremas, que incluíam jejuns muito prolongados. Até que ficou perto da morte e se deu conta que não era esse seu caminho.

Voltou a uma dieta normal, aceitando uma xícara de arroz cozido em leite oferecido a ele por uma garota chamada Sujatā. .

Esse acontecimento custou-lhe a perda da admiração dos discípulos que tinha conseguido reunir na época, todos ligados a práticas extremas, que viram em seu gesto um sinal de fraqueza e o abandonaram.

Ansioso por conhecer as causas da miséria presente no mundo, Gautama entendeu que o conhecimento salvador só poderia ser encontrado na meditação profunda da visão.

Essa meditação só seria possível se o corpo estivesse em boas condições, sem estar danificado pela fome, pela sede e pelo sofrimento provocado em si mesmo por meio de flagelações..

Aos 35 anos, após sete semanas de profunda meditação ininterrupta, em uma noite de Lua cheia no mês de maio, sentado sob uma figueira em Bodh Gaya, de pernas cruzadas na posição de lótus, ele abriuse a iluminação perfeita: ele meditou uma noite inteira até chegar ao Nirvaṇa.

O Buda alcançou então, através da meditação, níveis cada vez mais altos de consciência: ele compreendeu o conhecimento das Quatro Nobres Verdades e do Caminho Óctuplo e depois viveu a Grande Iluminação, que o libertou para sempre do ciclo de Renascimentos.

Venceu as tentações de Kama (o desejo, que incluía as tentações sexuais). E também as de Mara, o demônio da ambição e da violência. Nem o poder nem o prazer o atraíam mais.

Buda assim começou a fazer milagres e juntar novos discípulos.

Movimentando a Roda do Dharma

O Buda um dia encontrou, no lugar conhecido como Parque das Gazelas, um grupo de monges e ascetas que pretendiam ignorá-lo. Mas sua aparência radiante e completamente relaxada os conquistou imediatamente.

Ao saberem que ele havia alcançado o Despertar Perfeito, eles o receberam como professor e pediram que compartilhasse o que tinha descoberto.

As palavras que ele pronunciou foram preservadas no primeiro sutra curto, o assim chamado “Sutra de colocação em movimento da Roda da Doutrina (o Dharma)” que se abre com a condenação dos dois caminhos extremos: um o extremismo conectado à mera realização dos sentidos, vulgar e prejudicial, de mera entrega aos prazeres; e o extremismo ligado à auto-flagelação e ao jejum exagerado, doloroso e prejudicial.

Em vez disso, o de Buda é apresentado como um “caminho do meio que […] traz uma visão e um conhecimento claros, que levam à calma, ao conhecimento transcendente, ao despertar, ao Nirvana.”

Então o Buda analisa o conteúdo do “caminho do meio”, ilustrando o Caminho Óctuplo, que é a base do comportamento ético como a base necessária para alcançar o despertar (ver o artigo sobre o Budismo).

O Buda também falou as Quatro Nobres Verdades.

A primeira delas é a da dor. Ele diz: “a união com o que não é amado é dor; a separação do que é amado é dor; não conseguir o que você quer é dor.”

Chega-se à segunda verdade então. A verdade segundo a qual a causa da dor é o desejo. E que sempre permanecemos insatisfeitos em um mundo onde as coisas são impermanentes.

Mas a destruição da escravidão da dor é possível, e essa é a terceira verdade: a libertação é possível. E a libertação em si é a quarta verdade.

Conta-se que, depois que Buda proclamou as Quatro Verdades, um dos monges naquele exato momento se tornou elevou e disse: “tudo o que nasce está destinado a perecer!” e os deuses de todos os paraísos vibravam de alegria, o sistema dos dez mil mundos experimentou um tremor e um grande esplendor apareceu: a roda do Dharma tinha sido colocada em movimento.

Conclusão

A pregação do Buda marcou em muitos aspectos um ponto de ruptura radical com a doutrina do brahmanismo (a principal corrente religiosa do que no ocidente conhecemos como hinduísmo).

As convicções religiosas da Índia da época sofreram um abalo e tanto. Mas, apesar disso, o budismo não se difundiu tanto na Índia. Lá as doutrinas tradicionais iriam reagir, e o budismo faria mais sucesso na China, no Japão e em outros países do oriente.

Ainda assim, é inegável a importância e a influência de Buda em todas as doutrinas orientais e mesmo em algumas correntes religiosas e de pensamento do ocidente.

Como a vida terrena de Buda terminou?

Nos anos seguintes à sua iluminação, Buda ficou vagando pela planície do Ganges, pregando aos leigos, acolhendo novos monges e fundando comunidades monásticas que acolhiam qualquer um, independentemente do status social e da casta a que pertencessem.

A Índia na época, temos que salientar, era uma sociedade de castas muito rígidas. Divididas basicamente em quatro: sacerdotes (brâmanes), xátrias (guerreiros), vaixias (comerciantes) e sudras (servos). Mas existiam muitas outras subdivisões.

Certas correntes religiosas só admitiam entre eles membros de castas mais altas. Mas Buda foi um dos mestres que quebrou esse paradigma.

Buda, podemos assim dizer, fundou a primeira ordem monástica mendicante da história. Desde que o adepto aceitasse as regras da nova doutrina, eram todos admitidos na sangha, isto é, na comunidade dos fiéis.

Segundo a tradição, Siddharta Gautama morreu em Kuśināgara, na Índia, aos oitenta anos, em 486 a.C. cercado por seus discípulos, entre os quais o bem-amado Ananda, a quem ele deixou suas últimas disposições e ensinamentos.

Tradicionalmente, suas últimas palavras são as seguintes:

“Lembrem-se, ó monges, destas minhas palavras: todas as coisas compostas estão destinadas a se desintegrar! Dediquem-se diligentemente à sua própria salvação!”

Então o Buda voltou o rosto para o norte, reclinou-se do lado direito e expirou.

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Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.


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