setembro 6, 2021

Avareza – Quando você quer tudo para si mesmo

O que é a Avareza?

Não há nada de errado em se querer ter dinheiro e uma vida boa, confortável. O dinheiro é apenas um meio para que uma pessoa consiga ter satisfações em sua vida. O grande problema acontece quando o dinheiro e as coisas se tornam a razão principal da vida de alguém. Quando fica na frente do amor, da família e de muitas outras questões fundamentais para o ser humano.

“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Assim escreve São Paulo Apóstolo na Primeira Carta a Timóteo (6,10) e esta frase bíblica é uma boa introdução para refletir sobre o tema da avareza que, na doutrina dos sete pecados capitais, foi definida como a ganância desordenada por bens materiais.

De fato, esses bens são úteis apenas na medida em que beneficiam o homem para alcançar objetivos positivos, entre os quais seu objetivo final, que é se realizar espiritualmente.

O apego ao dinheiro e aos bens materiais: uma raiz de muitos males

Entre os males que a avareza pode produzir, está a corrupção, tanto na política como na vida do dia a dia.

A pessoa avarenta pode acabar se tornando corrupta por não querer gastar o que tem. Em lugar de gastar seu próprio dinheiro, resolve gastar o que pertence aos outros.

Divina Comédia de Dante Alighieri Avareza

Na Divina Comédia de Dante Alighieri, os avarentos que estão no Inferno empurram pedras em círculos. Isso porque durante a vida gastaram tempo buscando algo inútil (acumular dinheiro apenas por acumular). Dessa forma, depois da morte continuam a desenvolver uma atividade inútil.

Segundo Tomás de Aquino, o homem com relação aos bens materiais deveria ser moderado: isto é, deveria desejar apenas a posse da riqueza que é necessária para a vida, de acordo com as condições de cada um.

Ao se exceder a medida equilibrada das coisas, a moderação, existe um pecado, um desvio: quando você deseja ter ou acumular mais do que deveria. A avareza, sempre segundo Tomás de Aquilo, “é um amor imoderado (ilimitado) pela posse.”

Como em outros vícios relacionados ao dinheiro, também na avareza há uma tríplice ofensa: ao próximo, a si mesmo e a Deus.

É uma ofensa contra o próximo porque a riqueza material não deveria ficar parada enquanto o outro permanece na pobreza. É portanto falta de caridade, de altruísmo, já que o avarento nunca ou muito raramente dá algo do que possui a alguém que precisa mais.

A avareza é também contra si mesmo porque envolve uma falta de moderação no apego que se sente pelas riquezas. Os desejos relacionados aos bens materiais são exagerados, criando um distúrbio na alma.

Por fim, a avareza vai contra Deus porque os bens eternos da espiritualidade são desprezados, enquanto que os bens materiais, que passam, são valorizados. A pessoa pensa em dinheiro o tempo todo mas não reza, não medita, fica presa no ciclo da ganância.

A avareza envolve a dureza do coração que impede a quem tem de dar algo do que tem aos necessitados. Ela torna a alma do ser humano menos sensível, faz com que sinta menos empatia.

A avareza também provoca inquietude na mente, dificulta a meditação, porque a ela está relacionada muita ansiedade na busca de riqueza.

No caso de algumas mentes que se tornam criminosas, pode levar à violência. Há ladrões que são avarentos, querem sempre tudo o que outras pessoas têm de melhor e conseguiram com seu trabalho. Enquanto a ansiedade do ladrão está em conseguir o bom e o melhor para si mesmo sem esforço.

Em uma sociedade como a que vivemos, ansiosa e materialista, é muito fácil se deixar levar pela avareza.

Com todo o mundo de consumo que temos disponível, tendemos a nos esquecer de dar uma ajuda ao próximo de vez em quando para comprar o último modelo de celular disponível.

A avareza é uma tentação sutil e venenosa que está sempre à espreita.

O que os mestres espirituais e os santos do passado nos ensinam é que devemos ficar atentos quando ela surge. E podemos vê-la se manifestar tanto em nós mesmos, em nossos pequenos gestos avarentos, como em certas facetas da globalização, com foco em uma enorme e injusta acumulação de dinheiro no mesmo planeta em que ainda temos tanta gente passando fome.

A avareza é tão antiga quanto o mundo. O poeta romano Virgílio escreveu uma vez sobre ela, indignado: “é uma fome desprezível e que ofende o sagrado essa fome do ouro!”

Balzac, em uma de suas obras, Eugenia Grandet, nos fala de um avarento que morre em um quarto lotado de riquezas. De que serviu todo esse dinheiro, se ele se vai deste mundo sem ter aproveitado nada? Sem nunca ter feito o próximo sorrir?

Ele, em seus últimos momentos, ainda ameaça à filha, que fica para administrar sua herança: “se você não fiz o trabalho direito, vai render contas para mim lá do outro lado”, frase que é considerada por alguns uma das mais terríveis já escritas em toda a literatura.

Isso porque mostra o apego ao dinheiro e aos bens de uma pessoa que pensa neles até nos últimos instantes, que os coloca  em uma escala de importância acima da filha, do destino de sua alma e de Deus. Vemos aqui bem claras as três grandes ofensas do avarento, ao próximo, a si mesmo e à Divindade. Ele nem está pensando em Deus no momento da morte, e sim em seu patrimônio. Seu deus é o dinheiro. E há na vida real pessoas bem parecidas com o Pai Grandet.

A Avareza no Tarot

rei de ouros

No tarot, as cartas que podem representar a avareza são o Rei de Ouros, o Seis de Ouros e o Quatro de Ouros, quando mal-aspectadas ou invertidas (veja os textos sobre estes arcanos).

O Seis de Ouros nessa circunstância pode ser aquela pessoa que não quer dar nada do que tem. E pode até se sentir bem com a desgraça e a pobreza alheias. O oposto da caridade.

O Quatro de Ouros nesse contexto pode ser alguém que retém tudo para si a qualquer custo, e sente grande satisfação nisso. Uma pessoa que tem ciúme de suas coisas.

Enquanto o Rei de Ouros pode se tornar a personificação da ganância.

A avareza na astrologia

  1. A avareza e os planetas

O planeta conectado à avareza é Saturno, senhor do Signo de Capricórnio e Aquário.

Saturno é frio, lento, distante. É o arquétipo do velho, o representante do tempo que flui imutável, sendo disciplinado, controlado, responsável, racional.

Mais do que todos os planetas, é ao mesmo tempo o fundador e destruidor de todas as coisas, é Saturno-Cronos, o pai que devora seus próprios filhos. Tem portanto uma natureza dual.

Ele é o deus generoso da terra e dos camponeses, senhor dos frutos e sementes, mas também é aquele que compra a colheita toda para si e com avareza e ganância quer manter as coisas firmes consigo e fazê-las durar para sempre.

  1. A conexão entre os signos

Há muitos aspectos em um Mapa Astral que podem envolver uma tendência excessiva de se conter, uma tendência à avareza.

Uma necessidade exagerada de controle e regulação da vida financeira envolve aspectos dissonantes de Saturno.

A avareza pode ser sugerida por um acúmulo de planetas na segunda casa; mas é sobretudo a relação entre a décima casa, que corresponde ao Signo de Capricórnio, regido por Saturno, e a quarta, ligada ao signo materno de Câncer e regida pela Lua, a que nos leva a refletir a respeito da presença ou não dessa característica.

Na verdade, na raiz da avareza está uma falha no relacionamento entre a mãe e o filho.

Aqui falamos tanto astrologicamente como psicologicamente. Porque um filho ou filha que se relaciona mal com a mãe, ou que a perdeu cedo, pode sentir que a qualquer momento irá perder tudo, ou então se relaciona mal com o que lhe traz conforto, e tem medo de perdê-lo.

Como combater a avareza?

O maior antídoto contra a avareza é a caridade. Pense e aja não só pelo seu bem, mas também pelo bem do próximo.

Você não é obrigado a ter dinheiro e a ajudar o próximo financeiramente. Mas ajude como conseguir: com seu tempo, seu trabalho, com palavras atenciosas e amorosas, ouvindo, tendo uma boa conversa.

Como combater a avareza?

Não acumule dinheiro em casa sem nenhum foco. E quando for investir, pense no que esse investimento vai te servir no futuro. Não adianta acabar como o Pai Grandet, que acumulou e acumulou riqueza e teve uma existência miserável, não viajou, não curtiu a vida. Até porque ela passa rápido.

Você pode ser rico. Mas ser rico é bem diferente de ser avarento. O avarento é pobre e miserável em seu espírito. Já a pessoa que é realmente rica deve começar sendo rica por dentro, ter uma mentalidade de prosperidade. Deve espalhar riqueza: por exemplo, ao ter uma empresa, oferecer bons empregos.

Combata a avareza também se fazendo perguntas quando for gastar muito dinheiro com algo que na verdade é inútil: preciso mesmo daquilo? Precisa ser algo tão caro? Se a resposta é não, não precisa deixar o dinheiro em casa. Use-o para algo que possa ser realmente útil para você ou para o próximo.



Marcello Salvaggio
logotipo amazon

Marcello Salvaggio


Sou escritor e pesquisador nas áreas da religião, da literatura, do misticismo e da história.
Considero a espiritualidade a chave fundamental para o entendimento de nossas vidas, para encontrarmos o verdadeiro sentido de nossa existência, e todo meu trabalho é orientado nesse sentido.
Tenho livros publicados no Brasil e na Itália e sou formado em Letras pela USP e auricoloterapia pelo instituto EOMA, escola especializada em acupuntura e em outros ramos da medicina tradicional chinesa.
No campo da terapia e do aconselhamento, considero essenciais a empatia e o respeito ao livre-arbítrio alheio.

Já consultou nossos Tarólogos?

A partir de R$ 9,90


Faça sua consulta online agora mesmo!


Consultores VidaTarot

Coloque um ponto final nas suas dúvidas sobre Amor, Dinheiro, Emprego etc.


Veja também...

setembro 14, 2021

setembro 13, 2021

agosto 17, 2021

>